terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Ser multitarefa exige rotina!


No mundo corrido de hoje, é comum fazermos diversas coisas, e ao mesmo tempo. Ver tv, comer, responder emails no computador, mais cinco janelas abertas em páginas diferentes. Mas essa flexibilidade toda não estava se refletindo no lab.


Parei para refletir. E fazendo um pequeno túnel do tempo, sempre estudei. E SÓ estudei na escola. Não fazia inglês (ou outros idiomas), esportes (só natação por no máximo 1 ano, aos 8 anos) ou qualquer outra atividade extra-curricular. Para meu espanto, na faculdade até que me virei bem (para a minha surpresa), mesmo gastando quase 4 horas de viagem de ônibus, aula de manhã e tarde e estágio. Mas algo aí foi sacrificado: a saída com os amigos, o que me arrependo um bocado hoje.


Na faculdade, iniciação científica, na qual tinha o objetivo de desenvolver a cultura de células e depois testes toxicológicos com cádmio, juntamente com o estudo para o mestrado, e prática de ensino no Colégio de Aplicação da UFRJ (Cap-UFRJ). Sim, ano passado, último ano da faculdade, foi de pirar, mas dei conta. Então o que aconteceu comigo que não consigo mais dar conta das tarefas do lab?


Refletindo bastante sobre isso, identifico que a principal diferença entre o hoje e o ontem é o horário. Eu tinha horários fixos para tudo: aula Às 8h, laboratório às 13h, aula às 15h. E agora não tenho mais isso (exceto quando há as disciplinas do mestrado). E adicionando à sensação de “eu tenho bastante tempo” as coisas correm soltas, não controladas. E o tempo passa, e como passa, escorre pelas mãos, como diria Lulu Santos.



Alguns textos deste blog me inspiraram a mudar essa situação para melhorar a minha produtividade. Esta semana estou montando a minha rotina, com os horários bem marcados, tal como a Supernanny faz com os “anjinhos” que ela dá jeito. Só assim vou conseguir: ler artigos, estudar três assuntos diferentes relativos ao mestrado (MXR, metalotioneínas e diferenciação celular), estudar estatística, francês, inglês, cuidar do blog, ler emails e cuidar da casa (leia-se: lavar e passar roupa, dar faxina semanal, cozinhar, fazer compras etc etc).


O pior de tudo, acho que para 90% das pessoas da face da Terra, é levantar cedo. Sempre fui uma pessoa matutina. Claro que não pretendo fazer que nem o carinha do blog que levanta às 4 e meia da manhã, mas se eu conseguir levantar às 6 e meia fico feliz (farei isso daqui a algumas semanas), especialmente porque estou planejando a entrar na academia, e como sempre, dizia que não tinha tempo. E para conseguir levantar às 7 da manhã (nos tempos da faculdade eu já estava chegando ao fundão nesse horário) a primeira coisa a fazer é: sair do quarto. Automaticamente levantar, desligar o celular (estrategicamente longe de mim) e sair do quarto, sem dar tempo do cérebro implorar pela soneca gostosa. Fazer pipi, lavar o rosto e... fazer origami pelos próximos 20 minutos (a recompensa).


E hoje fiz a divisão dos horários. Acordar às 7h, chegar ao lab às 9h, sair às 18h (válido para todos os dias – o resto vou planejar ao longo da semana). E de noite, ao chegar do lab, primeira tarefa: estudar estatística, das 6 e meia até 8 e meia. E terminei o capítulo um!!!!!Em breve vou resenhá-lo aqui, como prometido em alguns posts anteriores. Ao longo da semana, vou fixar os melhores horários para estudar os temas importantes do mestrado (pois estudo escrevendo) para não ficar longos tempos sem ter contato com algum determinado assunto. Só assim que vou progredir, fazendo os assuntos de “disciplinas escolares”, com hora pra começar...e terminar! E assim, mantenho sempre o foco naquilo que estou fazendo. Ou seja, se vou usar o computador, só será para aquele propósito, sem me distrair lendo emails, navengando pelo facebook (porque estas coisas terão seus horários para se fazer).


Bom, no site ele dá várias outras dicas. Tá em inglês, mas vale a pena passar o site por algum tipo de tradutor online.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Quem disse que reality shows não prestam?


Estava a minha pessoa jantando quando ligo a televisão na TV Brasil (canal 2). E anuncia o próximo programa: “Ciência nua e crua” (Rough Science, em inglês). Um reality show com quatro pesquisadores de áreas como botânica, física, química em uma ilha deserta (e paradisíaca, é claro) em algum lugar do Índico. Eu sabia que série, que está na sua sexta temporada, passaria na TV Brasil (5a temporada), mas desconhecia o dia e horário. E sinceramente: é um programa sen-sa-cio-nal!!! Especialmente para mostrar o quanto a ciência é útil no dia-a-dia, para resolver problemas corriqueiros – o que não significa que podemos fazer tudo em casa, obviamente.
No programa de hoje, a turma tinha a missão de explorar um navio afundado. Então, cada um dos cientistas tinha uma tarefa: tornar a água potável (que se pode beber sem dar dor de barriga), montar um explorador submarino (um robozinho com câmera), descobrir a hora da maré baixa e achar o local exato do naufrágio.

Claro que eles não fizeram estas coisas só de madeira e cipó – a produção disponibilizava o material necessário. Mas nada muito elaborado ou equipamentos de laboratório, somente coisas como furadeira, compensado, câmera de circuito interno com uma mini TV (destas que tem em tudo quanto é lugar hoje em dia, para fazer o robozinho). À medida que vão construindo, testando e experimentando, eles explicam diversos conceitos de maneira bem simples, já que a apresentadora é uma mergulhadora profissional, ou seja, alguém que possui os conhecimentos básicos que aprendeu da escola. Por exemplo, hoje uma das pesquisadoras explicou como se formam as marés – e para descobrir o horário da maré mais baixa no dia da saída de barco sem consultar uma tabela que a marinha disponibiliza, ela fincou duas estacas marcadas com fitas vermelhas a alguns metros da arrebentação. Ela conferia a altura do mar a cada 15 minutos (inclusive de madrugada) e adicionando a diferença de tempo reativo à posição da lua, ela acertou quase na mosca (ela calculou entre 7 e 7:15h e a hora da marinha era de 7:08)

O desafio da exploração do navio não foi cumprido, pois eles não conseguiram achar o local exato do naufrágio (eles possuíam apenas um mapa marcado com um X, e bolaram um instrumento de localização com madeira e pregos), mas as outras tarefas foram cumpridas com sucesso (inclusive o robô, surreal!!). E a que mais me impressionou foi o modo de tornar a água potável.
É possivel tornar a água potável através de três processos: adição de iodo ou cloro e filtração por carbono ativado. A água que eles tinham estava clara, mas com certeza continha micro-organismos que causariam doenças, ou no mínimo uma diarreia boa. Então, a botânica decidiu pelo iodo. Por quê? Eles estavam no oceano, onde crescem algas pardas que acumulam iodo em suas folhas. Eles foram para um local cheio de corais, onde havia muitas algas pardas. Coletaram um cesto enorme, secaram as algas no sol, queimaram e as cinzas foram dissolvidas na água, que ficou de cor escura. Colocaram chumaços de algodão em um funil de vidro e filtraram o caldo, obtendo um líquido amarelado. Iodo? Ainda não. O que eles conseguiram purificar (se é que conseguira mmesmo) foi o iodeto de potássio, e eles queriam só o iodo.

Em seguida, o químico misturou em um erlenmeyer especial ácido sulfúrico de bateria de carro (até os reagentes químicos são obtidos de coisas do cotidiano!), gerando uma fumaça roxa que se solidificou ao entrar em contato com um tubo de ensaio onde havia gelo, água e sal. Por fim, o cara dissolveu os cristais em água. E agora, como saber se o trabalhão deu certo ou não?

Entra em cena a botânica mais uma vez. Ela pegou um pedaço de mandioca e um de mamão. Pingou um pouco do líquido em cada um dos alimentos, e a mandioca adquiriu cor escura onde foi pingado o iodo, enquanto no mamão continuou com a cor alaranjado. Ou seja, aquilo era iodo mesmo!!!
Mas o que ocorreu? É o seguinte: a mandioca (assim como a batata, e até o biscoito de água e sal que você come) é rico em uma substância chamada amido, que nada mais é o açúcar que as plantas estocam como reserva de energia (lembre-se que o seu biscoito contém farinha de trigo). O amido é simplesmente várias moléculas amilose e amilopectina), e em contato com o iodo, o amido reage com as moléculas de iodo (com amilose, dá a cor azul e a amilopectina, vermelho) o que resulta na cor roxo-escuro. Como o mamão possui pouco amido (neste caso o açúcar é a frutose), a cor não se altera!

Para quem quiser conferir o programa, ele passa às segundas-feiras às 20h da noite. Não tem comercial (oba!), portanto jante e vá ao banheiro antes de começar. O site é outro espetáculo (em inglês), descrevendo os participantes, os diários que eles escreveram e as "experimentos" que fizeram no programa... ah, eu tenho que dar um jeito de baixar os episódios!

Ah, só pecou por uma coisa: não tem eliminação ou brigas e intriguinhas dos BBBs da vida ;) Ou será que tem?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Nanotecnologia da UFRJ - o que esperar do curso?



Ultimamente ando interessada em coisas que terminem em “-tecnologia”. No mês passado, fui a um simpósio de biotecnologia. E hoje, assisti a uma palestra sobre o novo curso de nanotecnologia que a UFRJ começou a oferecer já no vestibular 2010 (ah, acabou a década dos 00...). A palestra foi lá no IBCCF e dada por um dos coordenadores do curso, Gilberto Weissmüller. Ele falou um pouco da escala nanométrica (“se você dividir a Terra por um fator de 10 elevado a oito, você terá uma laranja de diâmetro de 10 cm; e se dividir esta laranja pelo mesmo fator de 10 elevado a 8, você terá uma nanoesfera” - não é algo lá muito intuitivo, mas achei curiosa estas relações), dos cursos de nanotecnologia oferecidos no mundo. O primeiro foi oferecido em Toronto, Canadá, em 2001. E hoje, este número gira em torno de 50 cursos de nanotec. Um crescimento muito rápido, não acham?
Pois bem, vamos entender como será este curso. Ele foi elaborado por 4 institutos: Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, Instituto de Física, Escola Politécnica e Instituto de Macromoléculas. Os dois primeiros anos compõem o chamado “ciclo básico”, com matérias obrigatórias para todos; no terceiro ano, o aluno opta por uma das ênfases: física, materiais e bionanotecnologia. Percebo que o prefixo “bio” está em alta – só na mídia, porque quanto a dar dinheiro...vixi, nem falo – e tenho certeza que muitos serão atraídos para este curso em busca desta ênfase. Ah, se eles chegarem lá... porque os dois primeiros anos são praticamente...física. Física purinha, juntamente com a sua fiel escudeira, a matemática. Algumas (poucas) matérias de biologia e mais outras de química. Vamos lá: física I,II,III,IV; física experimental I,II,III,IV; cálculo diferencial e integral (!!!!) I,II,III,IV. Só para citar algumas. É, meu leitor, se você escolheu este curso para o vestibular em busca do “bionano-”, vai ter que passar nos dois primeiros anos por estas matérias que citei até chegar lá. Serão oeferecidas 50 vagas, 30 para o campus do Rio e 20 para o campus de Xerém (sendo que em Xerém serão oferecidas as ênfases física e bionanotec). Aposta: quantos vão se formar, hein? Só para causar um impacto, a primeira “turma” do curso de biofísica (de 30 alunos) se forma agora. Digo turma entre aspas porque são apenas 3 formandos!!! Número comparável aos formandos de física, conhecido por ser um curso bem difícil. O curso de biofísica também é difícil, tem cálculo, computação etc mas não tanto quanto nanotec. Ah, e os alunos de biofísica estão até organizando um churrascão (soube do número de formando ao ler um cartaz divulgando o churrasco) para comemorar a formatura da tchurma!



Outra questão que me incomodou foi o aproveitamento de disciplinas já existentes para montar a grade de nanotec. Por exemplo, algumas (ou muitas, ou todas, não sei informar) disciplinas eletivas em ênfase em bionanotec. são também oferecidas para o curso de biofísica. As matérias de física do ciclo básico também devem ser as mesmas da física. Agora, será que os alunos de nanotec terão exatamente as mesmas aulas e na mesma sala que os alunos de biofísica, de física? E a questão do espaço? Vai caber todo mundo? No caso de bionanotec. será que não será perdido o foco se juntarmos turmas de cursos diferentes, com visões e propósitos diferentes? Eu achava decepcionante ter aula de spins e orbitais no semestre inteiro em química I e não ver nada aplicável para a biologia. E química I é disciplina básica do curso de biologia, imagina as disciplinas que compõem a especialização em bionanoec, será que se juntar as turmas não seria superficial e sem aplicabilidade para a bionanotec.?

É isso aí. Cria-se o curso, e logo se oferecem vagas. Depoooois é que vai se pensar em infraestrutura, salas, PROFESSORES.Não é à toa que o novo curso de Relações Internacionais é ministrado no prédio do Centro de Ciências da Saúde, no subsolo reformado recentemente... Mas tudo tem um lado bom: agora temos um banheiro novo e limpinho no subsolo.

Para mais informações, clique aqui para ir para o site de nanotec da UFRJ.

domingo, 29 de novembro de 2009

I Simpósio de Empreendedorismo em Biotecnologia - 2º dia

O segundo dia do simpósio foi menos empolgante para mim, talvez por "boiar" em muitos dos assuntos tratados neste dia. Os temas centrais foram patentes (não consegui chegar a tempo para esta palestra), possíveis conflitos entre universidade-empresa e Leis do bem e de inovação tecnológica.
A messa redonda sobre os conflitos entre empresa e universidade esperava mais, no sentido de ver exposto os atritos - se é que existem - entre estas duas instituições. O que mais me marcou foi a divisão que o Franklin Rumjanek fez entre pesquisa básica e aplicada, e que esta última que seria o laço entre empresa e universidade.
Mas o que mais me chamou a atenção foi a palestra do Ricardo Pereira, da agência UFRJ de Inovação - primeiramente por saber que existe um órgão como este dentro da UFRJ! Um dos principais objetivos é, segundo o folder que ganhei "estimular a cultura de proteção de novas tecnologias, visando à transferência tenológica em benefício da sociedade" Trocando em miúdos, pode ajudar artistas, inventores e CIENTISTAS a proteger suas obras através da propriedade intelectual, garantindo o retorno dos recursos investidos.
E para completar o time dos graúdos das agências financiadoras, também foi Luciano de Azevedo Soares, coordenador geral da CAPES, que trouxe a estrutura da CAPES, que os EUA possuem 1/3 da produção mundial de artigos, que a UNICAMP detém o maior número de patentes registradas no portal CAPES.
Tenho que admitir que achei este segundo dia maçante, aliado a um forte sol e sala nada fresca. Mas no geral, como primeiro simpósio que assisti, aproveitei bem aquilo que consegui absorver e que fizeram sentido para mim, abrindo alguns horizontes que não imaginava poder (ou como) seguir.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Aprendendo estatística


No ônibus a caminho da praia vermelha, sentada no degrau do ônibus, fui selecionando os capítulos mais relevantes da minha mais nova aquisição, "Introdução à estatística", do Mario Triola. Eu recomendo este livro para quem está estudando estatística na faculdade (ou se descabelando antes de alguma prova, ou diante de seus dados de pesquisa). Ele tem uma linguagem simples, às vezes até "engraçadinha", com umas piadinhas aqui e ali, bastante, mas muitos mesmo, exemplos reais da aplicabilidade das estatísticas e muito exercício (mas somente as questões ímpares tem resposta - até compreendo, se todas tivessem o livro umas 800 páginas, em vez de 600 e pouquinho).
Eu ambém tenho outro livro de estatística, o "estatística sem matemática", de William Magnusson e Guilherme mourão. Apesar de o título ser atraente e finura tentadora (apenas 133 páginas) ele é um livro mais complexo, em que seus conceitos básicos em estatística devem estar bem consolidados para que você acompanhe e tire proveito do livro. Ele é mais voltado para planejamento amostral, planos de trabalho, ou seja, aplicabilidade para o mundo científico. É um excelente complementos para o livro do Triola, para os pesquisadores.

Bom, resolvi encarar de frente a estatística porque sou uma criminosa confessa: eu não sabia o que fazer com os números das minhas curvas padrões do Bradford! Meu único parâmetro era conferir se o valor de R quadrado da regressão linear (sem pânico que explicarei em posts futuros) estava em torno de 95%. Porém há outras estatísticas que servem para julgar se a curva está boa ou não (mas antes de tudo, definir o QUE É uma curva boa - e Mauro, muito obrigada pela força!)
Além disso, o Triola vem com um CDROM com dois programas estatísticos e diversos conjuntos de dados que vão sendo explorados a cada capítulo. Também há no livro os chamados "projetos de internet", onde o autor propõe alguns "trabalhos" a serem feitos a partir da coleta de dados em sites indicados (como site de previsã do tempo ou esportes) e assim trabalhar a estatística utilizando dados reais.

Como eu quero aproveitar todos os recursos oferecidos - especialmente estes do CDROM, proponho a me dedicar no mínimo um capítulo por semana (claro que tudo vai depender da minha dedicação, mas sempre há passagens que não me são interessantes; além do mais, o livro possui 15 capítulos, mas marquei 7 capítulos como sendo importantes para mim). Com sete capítulos "concluiria" o "curso" em quase 2 meses. Nada mau hein? Mas é até possível que eu avance mais de um capítulo por semana, já que não pretendo ficar fazendo exercício de conta em calculadora, além de ter estudado com este livro na graduação.

Para quem se interessar, aqui está o link do livro no submarino. E aproveitem, ainda está em promoção, parcela em 3x e o frete grátis :D

I Simpósio de empreendedorismo em biotecnologia - 1o dia

"Boa tarde, meu nome é Eliane de Souza Figueiredo e sou empresária. A minha empresa possui cinco anos de vida e trabalha com o desenvolvimento e a fabricação de novos anticorpos monoclonais, com ênfase em animais não-tradicionais, como bivalves, peixes e ascídias para utilização em estudos de áreas ambientais degradadas". Loucura, não é mesmo? Mas foi um pouco assim que me senti no final do primeiro dia de palestras do I Simpósio de empreendedorismo em biotecnologia, uma "quase" aspirante a empresária empreendedora. Foram falar alguns pesquisadores do CCS (Centro de Ciências da Saúde, um setor da UFRJ), pesquisadores do Instituto de Economia da UFRJ, empresários (cuja formação variava de biólogo a engenheiro químico) e, o que me deixou bastante admirada, os "graúdos" das agências financiadoras (BNDES, FINEP, Faperj), para as quais dedicamos exaustivas horas em frente ao computador para escrever projetos para conseguir verba e financiar pesquisas.

Em linhas gerais, o dia de hoje se concentrou na história da biotecnologia e formação de recursos humanos capacitados e exemplos de empreendedores de sucesso. Apesar de um pequeno atraso de mais de uma hora (alguns palestrantes se equivocaram e foram para o Fundão em vez de ir para a Praia Vermelha, onde houve o evento), as palestras foram muito boas e esclarecedoras, daquelas que, mesmo sem saber nada (ou quase nada) do assunto, você aprende bastante.

Dois momentos me chamaram mais a atenção. O primeiro, sobre a formação de pessoal capacitado em biotecnologia. O IFRJ (sim, está escrito certo, é o Instituto Federal de Educação, Ciência e tecnologia do Rio de janeiro) possui um curso de nível médio/técnico em biotecnologia (que na verdade é o antigo curso do cefet química, ou seja, o téc. em biotecnologia continua veinculado aos Conselhos de Química), formando técnicos capacitados para trabalhar em diferentes áreas, desde laboratórios de pesquisa, de análises clínicas até em escritórios de advocacia envolvidos com patentes. Surgiu uma pergunta: e o mercado, consegue absorver estes profissionais? Será que os alunos formados continuam trabalhando nesta área? Bom, pergunta difícil de se responder, já que não há nenhum contato entre aluno e escola após o aluno término do curso. Outras questões, como a submissão em conselhos, mercado de trabalho, etc. também foram levantadas.

Outro ponto foi sobre empreendedorismo e como as agências financiadoras apoiam as microempresas. É um consenso que a maioria destas agências continuam a emprestar din din para os "grandes", pois eles possuem meios de propor garantias ao empréstimos; porém também há investimentos (muito tímidos, por sinal) naqueles que começaram do zero e tem nada ou muito pouco para oferecer de garantia. Afinal, você emprestaria dinheiro para uma pessoa que você não conhece, sem que ela no mínimo não lhe forneça alguma garantia de retorno? Como exemplos, temos alguns programas do BNDES, como o Criatec (destinado para empresas chamadas de "sementes", o início do estágio de desenvolvimento de uma empresa) e Funtec (são fundos não reembolsáveis, investem principalmente em fundos de inovação - dar dinheiro sem precisar devolver, digamos assim) e programas da FINEP, como o "juro zero" e Prime, ambas também para empresas em estágio inicial.

Bom, tudo isto e mais um pouco me fizeram enxergar o quanto a áera de biotecnologia está em expansão, especialmente para a criação de empresas inovadoras. O que quero dizer, é que empresa vai muito além do Sebrae, que é o que vemos com certa frequência na TV. Estas agências estão aí, muitas delas com recursos financeiros muito bons... e que podemos ser empreendedores não por necessidade (como ocorre na maioria dos casos, o seu José quer abrir uma empresa para expandir a padaria da família), mas por opção, fazendo pesquisa de ponta, transformando esta pesquisa em produto ou serviço; e assim podemos, satisfeitos, retornar à sociedade o investimento econômico que nos foi feito.

sábado, 24 de outubro de 2009

Se pudesse trocar, qual seria seu novo nome?


Você gosta do seu nome? Eu não curto muito o meu (Eliane). Acho incomum, que as pessoas não memorizam facilmente. Por isso que, no fim do ensino médio, escolhi um apelido, que na faculdade pegou muito bem: Lia. Tirando as piadinhas de um certo professor da faculdade sobre o pretérito imperfeito do indicativo do verbo ler, eu gosto muito do meu novo nome. Curto, sons simples, fácil de memorizar. Por se também um nome real, as pessoas acabam achando que este é o nome que consta no RG. Em certas ocasiões, minha apresentação costuma ser um pouco longa: "Oi, meu nome é Eliane, mas todo mundo me chama de Lia".

O raciocínio de que existe um "bom" nome, um nome ideal para coisas e pessoas é óbvio. Se o nome for simples, ou que contenha algum tipo de sonoridade, até mesmo alguma rima, ele pega. Acho que o pessoal que trabalha com marketing sabe muito melhor que nós a força que os nomes têm. E artistas em geral (atores, cantores, pintores, etc), que têm a opção de se rebatizar diante da população, como devem sofrer para escolher (ou manter o nome da certidão)! Afinal, alguém conhece um tal de José Eugênio Soares? Não? Ele é gordinho, de cabelos brancos, óculos quadrados, que tem um programa de entrevistas de madrugada e que fala: "Um beijo do gordo?" Descobriu? Além de programas de tv, filmes, tudo isso tem a força do nome atrelado, que deveria dar uma dica (ou não) do que se trata. Um bom nome, que cause simpatia ou desperte curiosidade, já ganha 20% do público, independente de a atração ser boa ou não. Quantas vezes não dizemos "ih, o nome do filme era tão sem graça, mas foi um filmaço!" (não entraremos no mérito de discutir as traduções e versões para português de títulos americanos, que acho super sem-graça).

Na web, nos deparamos com as mesmas indecisões dos roteristas e cineastas quanto à questão do nome. Quando criei o blog, batizei-o de "Observar, descrever e analisar" para nortear o meu objetivo de ter um espaço para escrever e discutir planejamento e resultados de experimentos, revisar literaturas e relacioná-las com as problemáticas de bancada, busca por soluções. Enfim, fazer ciência. São apenas três palavras, de tamanho médio, mas elas não combinam, o nome não é "fluido", as palavras não fáceis de falar rápido. Eu comecei a pensar nisso já durante o II EWCLiPo, onde convivi por 3 dias com autores dos mais variados blogs com nomes que acho sensacionais, como "rastro de carbono", "rainha vermelha", "RNAse free" e, claro, "Você que é biólogo" (este sim, um nome grande mas fluido, se vc falar rápido ele sai fácil: "vcêquiébiólogo"; ao contrário de "Lablogatório", junção de laboratório com blog, que é praticamente um trava-línguas). Acho estes nomes criativos, sugerindo (ou não) do que se trata o blog.

Em meio desta tempestade de ideias, decidi mudar o nome do blog para "laboratório 32" - que não por acaso é o endereço deste blog. Mas por que cargas d'água não pus este nome no início? Boa pergunta: eu não me lembro. :) Apesar de não ser lá muito criativo, atende meus outros requisitos, é curto e é fluido, tem sonoridade, fácil de falar. Numerais costumam também ser problemáticos, mas este se encaixou certinho.

Então estou feliz e satisfeita com o novo nome. E este texto é bem mais legal do simplesmente dizer "oi gente, mudei de nome. Agora sou Laboratório 32". O próximo passo vai ser mudar o visual, mas isso fica pra outro dia.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Em que ponto estamos?

Este post é para situar a que pernas andam meus experimentos no mestrado. Seguem:

1) Pgp: ainda preciso procurar e testar um protocolo que eu consiga des-aderir as células para passar pelo citômetro, mas sem usar EDTA (o EDTA previne a agregação das células, impedindo que elas se grudem como uma bola gigante). Além disso, eu poderia fazer um ensaio rápido para observar se tem (ou não) Pgp nos hemócitos, já que tenho tudo que preciso: já sei como encaixa as lentes do microscópio de fluorescência, e os reagentes - rodamina 123 e verapamil já chegaram (o modelo do experimento está neste post);

2) extração de metalotioneínas: já tenho 10 glândulas digestivas congeladas no freezer -80 graus (agora funcionando direitinho) para testar o protocolo. Os reagentes já chegaram e as soluções necessárias já estão prontas. Já peguei as pastilhas dos inibidores de proteases para testar também e ver se dá pra quelar os metais (ou seja, mantê-los indisponíveis para as proteínas que tem afinidade por metais) da glândula. A partir daí dá pra continuar o protocolo de purificação da metalotioneína para ir para o sequenciamento de proteínas;

3) Experimento da exposição das ostras à cádmio: ainda não comprei a peça que preciso para conectas as duas mangueiras de calibre diferentes. Preciso marcar pra ontem pra fazer este experimento razoavelmente grande, mas não consegui ainda encontrar um período "calmo" - sem disciplinas ou congressos.

4) Bradford: achei no site da sigma um texto explicando como fazer o ensaio, e com informações importantes. também achei no periódico "Current protocols in protein science" um artigo falando de vários métodos colorimétricos, inclusive o Bradford. Já li e estou relendo com mais calma. Também preciso checar os componentes do tampão em que vou manter a proteína, pois a curva padrão teria que ser feita neste mesmo tampão, e alguns componentes possuem limite máximo de concentração para que não ocorra interferências na dosagem.

Mas isso tudo não é prioridade, mas sim fazer o gradiente de percoll (um método para separar as células ) e repetir alguns experimentos de citoquímica, para assim ressubmetermos a short communication.

Sacode a poeira...

Após comer uma banana split com os amigos do curso de francês, finalmente criei coragem para sair da acomodação e retomar o blog. Depois do encontro de Weblogs (falarei dele com mais calma no próximo post) fiquei empolgadíssima em retomar e até reformular o blog, mas dei um tempo até para refletir em qual ou quais mudanças poderia fazer. a sacudidela da Ju em um comentário do post sobre Pgp também me fizeram acordar. Só que, além de todo o tipo de exercício e treinamento que escrever no blog pode me proporcionar, volto especialmente para dizer que FILOSOFIA É DEMAIS!!!!

Estou fazendo uma disciplina na pós-graduação chamada de 'filosofia da ciência'. Além de ser uma matéria fácil, com um bom número de horas, não ter lista de presença e a prova é escrever a sua opinião e sugestões para a disciplina (ou seja, tudo o que um aluno consideraria uma disciplina dos sonhos) as discussões estão sendo ótimas e superprodutivas. Já fiz disciplinas deste estilo, de discussão em todas as aulas, e se a turma não for boa, ou se o professor não souber conduzir os debates, chega num ponto que chamamos de looping: repetições e mais repetições das mesmas coisas antes já ditas anteriormente. Este é o exato momento em que o professor deve instigar novos questionamentos, mudar de assunto ou até mesmo encerrar a aula. Senão a aula fica chatérrima, com uns poucos alunos discutindo. E as aulas estão sendo conduzidas muito bem neste sentido: claro que vira e mexe alguém dá uma guinada de 360 graus para parar no mesmo lugar, mas nada muito traumático.

Filosofia da ciência. Ciência da filosofia. Estas duas áreas são muito distintas, diferentes? são iguais? São faces da mesma moeda? São irmãos gêmeos? Univitelinos ou bivitelinos? Quem são os cientistas e os filósofos de hoje? E os de 300 anos atrás? Eis perguntas e ideias levantadas e debatidas na primeira aula.
À primeira vista, creio que todo mundo deve responder que são coisas totalmente diferentes. Filósofo é o cara que fica sentado em algum lugar pensando sobre assuntos existenciais, como se há um Deus, de onde viemos, para onde vamos, o que são o amor, a bondade, a virtude etc etc. O cientista é o cara que trabalha no laboratório, que sempre procura respostas para tudo... epa! Resposta? Mas o filósofo também procura respostas... para perguntas diferentes, talvez. Mas o cientista também pensa (e como!). O que fazer, como fazer, se deu certo, se não deu, por que que isso ou aquilo aconteceu de tal maneira...
Lá pelos anos de ouro da Idade Média, que apesar de ser conhecida também como idade das trevas ela possuiu muitos acontecimentos intelectuais, quem tratava destas questões de ciência, filosofia, matemática, geometria, astronomia, astrologia, alquimia, política, etc. eram as mesmas pessoas! Nao havia SÓ o filósofo, ou SÓ o cientista, mas um cara genial que sacava praticamente de tudo! Esta separação em duas "disciplinas" distintas foi ocorrendo ao longo dos anos, tornando talvez estas irmãs praticamente sem conexão, mas há muita filosofia na ciência, e muita ciência na filosofia!

domingo, 12 de julho de 2009

Não existe Pgp?!

Estava relembrando como as células irão (espero eu) se comportar nos experimentos para verificar a atividade de uma proteína que “expulsa” diversas substâncias potencialmente nocivas à célula: a glicoproteína P (cuja abreviação é Pgp). Basicamente, o experimento funciona na seguinte maneira: em uma cultura de células, você adiciona um determinado corante fluorescente (no caso a rodamina B)Se essas células possuírem a Pgp, essa proteína vai “expulsar” o corante do interior da célula e ela pouco fluoresce (para fluorescência, é possível conferir se a célula fluoresce observando-as no microscópio; para quantificar a fluorescência, as células são “lidas” por um aparelho próprio, o citômetro de fluxo). Se é adicionado um inibidor dessa proteína, esta pára de “expulsar” o corante de dentro da célula, que passa a apresentar alta fluorescência (observe o esquema que fiz, abaixo).

Esquema simplificado do funcionamento da Pgp ao adicionarmos o corante Rodamina B

Este ensaio também serve para deduzir se uma determinada substância é ou não expulsa da célula pela Pgp. Se adicionarmos algum poluente, por exemplo o cádmio (sempre puxando sardinha para meu lado rs) e a fluorescência for baixa, significa que o cádmio não é expulso pela Pgp, já que ela estará expulsando o corante. Já se a fluorescência for alta, há duas explicações: 1) o cádmio um substrato para a Pgp (ou seja, a proteína vai expulsar menos corante para também expulsar o cádmio) ou 2)o cádmio é um inibidor da PGP (a proteína expulsa nenhum dos dois compostos)

Bom, e eu preocupada relembrando esses detalhes para analisar os resultados. E ainda nem estabeleci um protocolo de experimentos. Após conseguir manter as células “separadas”, isto é, sem formar agregados usando uma solução anti-agregante, o Rapha me aconselhou a não usar esse tipo de solução quando fizer os ensaios para Pgp, especialmente por conter EDTA, uma substância que torna indisponível cálcio e magnésio para a célula (muito importantes em diversas reações celulares). Eu tinha 2 opções:

1) fazer o ensaio com as células aderidas na placa. Complicação: o uso de tripsina pode danificar seriamente as células.
2) Fazer o ensaio com as células em suspensão. Complicação: como eu não poderia usar o anti-agregante, as células agregariam absurdamente. Além disso, teria que fazer mais centrifugações para retirar e lavar o corante, o que aumentaria mais ainda a agregação.

Procurando na literatura protocolos deste experimento, descubro que a grande maioria (22 de 24 trabalhos listados na base de dados pubmed) utilizam tecidos como brânquia e glândula, e não hemócitos. Apenas 2 trabalhos abordavam hemócitos. Mas em vez de ajudar, fiquei preocupada, especialmente o de Sversson (2003), que não encontrou atividade da Pgp em hemócitos do mexilhão Mytilus edulis, apesar de outro autor (Minier, 1996) ter encontrado uma proteína com mesmo peso molecular de Pgp e reação positiva para um anticorpo anti-Pgp de humano. (Thiago, isto te lembra algo?!)

Fica a pergunta para ser respondida daqui a alguns dias: será que há atividade de pgp nos hemócitos que eu estudo?

Quando a união não faz a força

Trabalhar com células possui seus percalços, que variam de acordo com cada tipo celular. Os hemócitos não fogem à regra. A Paulinha trabalha com hemócitos de caranguejo, e eu com hemócitos de ostra. E compartilhamos um mesmo problema: a agregação (ou coagulação) destas células. Logo que fazemos a punção dos hemócitos, eles se unem em uma maçaroca de células, com a qual não é possível fazer nada. Um grande empecilho. A Paulinha sofre mais que eu: "meus" hemócitos agregam bem menos que os "dela".
Semana passada passei as células no citômetro de fluxo para tentar identificar as populações de hemócitos, necessária para seguir com meus experimentos. Mas a agregação dos hemócitos foi um problema sério. Isso acontece principalmente porque preciso fazer uma centrifugação a fim de concentrar as células e ressuspendi em um meio de cultura, o L-15.
Resultado. Agregou geral.
Em seguida, testei ressuspender as células em uma solução bem conhecida pelo pessoal que trabalha com hemócitos: o antiagregante,que, como o nome diz, impede a agregação. Bingo! células livres, leves e soltas. Resultado. no citômetro, a identificação das células ficou bem melhor.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Artigos russos



No filme “bonecas Russas”, Xavier reflete que sua vida amorosa se assemelha àquelas bonequinhas típicas da Rússia, as Matrioshkas, onde dentro de cada boneca existe uma menor. A busca de informações nos artigos também segue a lógica da bonecas russas: você acha um artigo com alguma informação do seu interesse, mas este cita outro artigo. Você busca a segunda citação, e este cita um terceiro. E quando você acha que o terceiro é o último...bem, pode existir um quarto, ou não nenhum. Mas o pior é quando a informação que você tanto procurava não está em nenhum daqueles que você procurou.
Eu queria comparar como Cao (2003) preparou uma cultura primária de hemócitos de Mytilus galloprovinciallis. Começou nos materiais e métodos com a indicação “segundo Barcia et al. 1999” e fez uma descrição rápida dos procedimentos. Segui esta referência, que me levou ao Hughes et al. (1990) que citava mais um autor cujo trabalho não encontrei nos sites de busca. Em Barcia e Hughes, estava descrito exatamente a mesma preparação que em Cao. Não havia as informações que eu buscava:se as células eram centrifugadas, qual a velocidade e em qual solução seriam ressuspendidas. Em Barcia, há uma centrifugação de 3000 x g com ressuspensão em um tampão para lisar as células. Portanto, esta centrifugação não era para manter as células vivas.

Mas voltando o que me interessou no artigo de Cao. Manter cultura primária de hemócitos (ou melhor, invertebrados como um todo) é muito difícil, principalmente porque não se sabe exatamente quais nutrientes estas células necessitam para sobreviver. Neste artigo, ele consegue manter as células vivas (em torno de 100%), por cerca de 20 dias, o que é um tempo muito bom.

Fig. 1: gráfico de sobrevivência de hemócitos em fungicida (bolinha = 1ug/mL; triângulo: 0,5ug/mL; quadrado: 0,1ug/mL) e em soro fetal bovino (A) e hemolinfa (B)

Neste gráfico, ele analisou o efeito de um fungicida em 3 concentrações diferentes de um fungicida e de duas substâncias que melhoriam a cultura de células: (A) soro fetal bovino – muito usado em culturas de vertebrados por conter diversos componentes (como vitaminas, proteínas, carboidratos, etc) necessários para a sobrevivência das células – e (B) hemolinfa inativada (é como se fizesse um análogo do soro fetal bovino: a hemolinfa foi aquecida, centrifugada e filtrada).
Das três concentrações, a menor concentração do fungicida (0,1µg/mL) apresentou melhor resultado. Com 100% das células viáveis por 20 dias em presença de soro. Quando adicionada a hemolinfa, e esse valor subiu para 25 dias. O curioso é que a concentração de 10 µg/mL é muito comum em culturas de vertebrados, e causa morte de 50% das células após 5 dias de cultura. Por isso que, se trabalhando com invertebrados, sempre temos que adaptar nosso protocolo.
Nas minhas culturas de hemócitos, eu uso uma concentração de 10 µL/mL do antibiótico penicilina-estreptomicina e não utilizo soro nem hemolinfa para complementar o meio de cultura. E olha que esta concentração já foi mais alta, de 100 µL/mL, mas diminuí após sugestão de conversar com uma menina que apresentava trabalho em um congresso que fui.
Tudo bem, as células estão vivas. Mas será que estão saudáveis? Para mim que trabalho com ensaios de toxicologia, até que ponto determinado efeito é causado por um poluente e não pelo fato de as células estarem débeis (doentes)? Por isso que existem diversos ensaios para conferir a “saúde” das células, como a fagocitose, uso de diversos corantes (como o meu vermelho neutro) entre outros. No artigo, ele utilizou como ensaio a quantificação de uma proteína que é envolvida na fagocitose. Então, ele determinou que 3 dias de cultura seria o ideal para fazer este ensaio. Trocando em miúdos: às vezes, não é de grande valor manter a cultura por longos períodos, se o ensaio, teste, however, o seu objetivo não é eficiente em culturas longas.

sábado, 21 de março de 2009

Poli-lisina e aderência celular

AS células sempre procuram um substrato para aderir, não costumando ficar em suspensão em uma solução. Este substrato pode ser placas de petri, lâminas, lamínulas... Aliás, a desaderência pode ser até indício de que a célula está entrando em morte celular programada, também conhecida como apoptose.

E alguns tipos celulares são danados para não aderir. Ou melhor, elas ficam aderidas por um (pouco) tempo, de algumas horas, mas se é preciso fazer experimentos com exposição de drogas por períodos muito longos, algo como 24h, 48h, 72h com o passar do tempo o número de células aderidas pode diminuir substancialmente.

Para melhorar esta adesão, existem substâncias que são muito empregadas nos laboratórios, como colágeno e laminina, que são proteínas de matriz extracelular (é o material que fica em volta das células, que mantêm a aderência entre as células, formando tecidos, além de outras funções). Elas em geral atuam por atrações de carga: como o lado externo da célula possui carga líquida positiva, estes compostos possuem carga negativa. Inclusive li um trabalho que comparava qual seria a melhor substância para melhorar a adeão celular. E a campeã foi a poli-D-lisina.

A polilisina é um polímero (por isso o prefixo poli) feito do aminóacido lisina. Em outras palavras, é uma lisina "amarrada" na outra. Se a o grupo carboxila do aminoácido lisina "estiver" (na verdade este conceito é muito complexo para explicar am poucas linhas) na esquerda, teremos a poli-L-lisina. E se "estiver" na direita, teremos poli-D-lisina. Sendo que, na natureza, só encontramos proteínas formadas com aminoácidos na forma L.

Sempre usei poli-L-lisina para melhorar a aderência das minhas células, o que de fato ocorre. Porém lendo um artigo que a Ju me enviou, os autores usaram a versão D, sendo que em todos os artigos já lidos por mim a forma usada era a L. Mais tarde, pesquisando no site da Sigma-Aldrich, uma empresa que vende produtos para laoratório, estava escrito na seção FAQ a diferença: como a forma L é encontrada na natureza, alguns tipos celulares podem digeri-la, através de proteases. Nestes casos, a forma D seria a mais recomendada.

Então veio a pergunta: será que meus hemócitos estariam digerindo a poli-L-lisina? Será que eles secretam proteases? Sim, é possível, já que são células circulantes na hemolinfa, e responsáveis pelas respostas de defesa contra patógenos. Mas para não ficar no "achismo", busquei artigos que tivessem feito algum tipo de reação para proteases. Achei um trabalho que fazia detecção de diversas enzimas, entre elas...proteases.

Outro detalhe: buscando mais informações sobre polilisinas, vejo uma pergunta sobre a poli-L-lisina que uso:

- "A polilisina P8920 (nº do catálogo) pode ser usada para cultura de células?"
- "NÃO (grifo meu), pois ela contém 0,01% de timerosal, que é um conservante. Este produto é indicado para aderência de tecidos em lâminas. Para culturas de células, deve ser usado o produto PXXXX que é similar mas sem o conservante".

Ainda, mas ainda bem que não consegui encomendar a poli-L-lisina...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Happy!!!!

Primeiramente:
Passeeeeeeei no mestrado! Agora serei uma pós-graduanda !!! (só falta fazer a matrícula)

Segundo, este post é para tentar clarear algo que está tirando meu sono há algum tempo: os granulócitos da ostra que trabalho, Crassostrea rhizophorae.
A única caracterização morfológica dos hemócitos foi feito por Tânia Barth sob orientação da Marguerita Barracco, a quem tive o prazer de conhecer e traballhar em seu lab por alguns dias.
Ela fez a microscopia óptica dos hemócitos, corando com o corante Giemsa. Nela, ela achou três tipos de hemócitos: um sem grânulos, (hialino), com pouco citoplasma e núcleo grande. Outro hialino mas com muito citoplasma e núcleo menor. E o granulócito, que contêm grânulos no citoplasma. Só que o que vejo nas minhas células é um granulócito com grânulos bem maiores que os dela. Mas ao procurar imagens dos meus granulócitos, achei céls com grânulos parecidos (veja as fotos abaixo):

Hemócitos de C. rhizophorae. a: granulócito da Barracco; b: granulócito semelhante ao da Barracco e c:granulócito diferente ao da Barracco.


Sobre os hemócitos da figura c, pensei em duas hipóteses:

1) que, na verdade, são células de parasitas (protozoários, amebas, etc);
2) são células do músculo, e não da hemolinfa;

Mas ao ler um artigo que o João me enviou, lá de um pessoal da França, vi que na população de hemócitos pode aumentar a porcentagem de granulócitos. Apesar de ele estar se referindo a experimentos com exposições de xenobióticos em culturas in vitro (provavelmente esse aumento ocorreu devido à morte de hialinócitos), isto me deu uma luz. Os granulócitos podem aumentar de freqüência na hemolinfa! Inclusive eu já vi trabalhos que fizeram contagem diferencial em diferentes estações do ano para quantificar possíveis mudanças. Então pensei em mais uma hipótese:

3) manter as ostras no aquário faz que a população de granulócitos aumente além de mudar a morfologia dos grânulos, fazendo com que fique maiores.

Eu penso que esta seja a mais coente porque: i) não observava este tipo celular logo assim que as ostras chegavam; ii) a Barracco mantinhas as ostras no aquário por no máximo 48h.

Vou buscar artigos que falem sobre estas alterações dos hemócitos em bivalves que estejam sob condições de laboratório em outras espécies, além de verificar isto na próxima chegada de ostras. Aliás, manter este aquário descente está difícil, mas vou conseguir!

quarta-feira, 4 de março de 2009

ah, Por que você está chorando?


Já que eu falei de choro, me perguntei: por que as mulheres choram mais do que os homens? Dei uma procurada nos bancos de dados em busca de uma resposta científica, e como não achei nada, busquei no bom e velho Google. Não achei a resposta para a pergunta inicial, as encontrei o nome de William Frey, professor de psiquiatria de Farmácia da Universidade de Minnesota. Ele trabalha com Alzheimer, com disponibilidade de drogas, barreira hemato-encefálica... e choro e seus benefícios para a saúde. Não encontrei nenhum artigo so Frey nos bancos de dados sobre esse tema, mas no Google havia dois artigos de divulgação cientifica falando desssa linha de pesquisa. Fico meio desconfiada deste tipo de informação, especialmente porque estes jornalistas tendem a distorcer (propositadamente ou por falta de conhecimento) os resultados das pesquisas.

Bom, as lágrimas, de um modo geral, não possui vantagem evolutiva em humanos, além daquela de lubrificar os olhos. Quem passa muito tempo no ar condicionado sabe como é incômodo a secura dos olhos. Além de conter enzimas que são bactericidas. Sem elas, as bactérias as quais estamos constantemente expostos nos cegariam. Mas somente humanos choram (será?). E que isto teria sim, uma vantagem. Vantagem de sobrevivência.

Como? Sob tensão ou stress intenso, homens gritam, berram, brigam, batem. Mulheres choram. E este choro que seria “saudável”, exatamente por liberar tensões e dar alívio a aqueles que derramam lágrimas. E como é bastante divulgado (acho até além da conta) que stress aumenta os riscos de ataque cardíaco e danos em determinadas áreas do cérebro, chorar possui sim uma vantagem; seria uma estratégia de sobrevivência.
O choro literalmente “desestressa”, além de encorajar comportamentos em grupo, melhorar o apoio social e inibir a agressividade. Quem nunca viu uma moça chorosa sendo consolada por diversas amigas? Presenciei uma situação dessas no CAp. Uma aluna chorava pois havia sido suspensa (por justa causa) e as meninas na sala, até aquelas que não falavam com ela, foram consolá-la.

Um experimento que a equipe do Frey realizou foi comparar a composição das lágrimas do choro provocado por cebolas (detesto cortar cebola por causa disso) e por choro provocado por filmes tristes – as chamadas lágrimas emocionais. Neste segundo grupo, as lágrimas continham maior quantidade de substâncias nocivas, o que poderia indicar que o “choro emocional” seria um meio de o organismo se livrar de substâncias nocivas cuja síntese foi desencadeada por stress emocional.

Bom, aqui está o link dos 2 sites que visitei. Um deles é de “divulgação religiosa”, digamos, por isso desconsidere o modo emotivo como está escrito a reportagem...
http://www.answersingenesis.org/creation/v15/i4/tears.asp

Choro em números:

20% das crises de choro duram mais do que 30 minutos;
8% continuam por mais de uma hora;
70% dos que choram não se esforçam em esconder o choro;
77% dos que choram fazem isso em casa...
...e 15% o fazem no trabalho ou em casa;
40% choram sozinhas;
39% dos choros acontecem no início da noite, ultrapassando a porcentagem dos casos que ocorrem pela manhã, de tarde ou à noite;
O horário mais comum para chorar é entre 18h e 20h;
88,8% se sentem melhor depois de ter chorado;
A mulher chora em média 47 vezes por ano;
Já os homens choram em média 7 vezes por ano.

Portanto, homens, vocês devem chorar mais vezes! Deve ser por isso que vivemos mais :D
Outra dica: nunca falem para uma mulher que esteja chorando que ela está nervosa, que é frescura, drama, etc pois além de piorar a situação, isto nos irrita!

TPM



Semana passada eu estava de TPM. Não, não é Tensão Pré Menstrual, mas sim Tensão Pré-Mestrado ou então Tensão Pós Mauro (perdoe o trocadilho, querido ;).
Terça foi minha defesa do projeto de mestrado. O último passo para deixar o limbo da Iniciação Científica e me tornar pós-graduanda. Apresentar e defender um projeto em 15 minutos para uma banca de 3 professores.
Após quase duas semanas preparando a apresentação de Power point, tentando pensar com minha cabeça e com a cabeça do chefe, depois de muita conversa, esclarecimentos e ajuda do orientador, às 15:20 do dia da apresentação, que seria às 16:15, o arquivo ficou 100% pronto. É incrível como cada vez que eu (ou o Mauro) abria o arquivo, achávamos algo a mudar, algo a melhorar, a acrescentar ou retirar.
Fiquei até 7 e meia da noite do dia anterior no lab para finalizar tudo. Demorei a tarde inteira (de 2 às 5 e pouca, praticamente) para fazer um fluxograma do desenho experimental e um modelo de cronograma que sequer passava pela minha cabeça como era – até o chefe ver que eu não ia sair mesmo e me ensinou como fazia. Queria provar que conseguia fazer um fluxograma “à mão livre”, mas não teve jeito e recorri aos modelos prontos do Power point. Ah se eu tivesse ouvido the advice...
Bom, às 6 e pouca a Silvana (minha outra orientadora) bateu lá no lab, e fiz uma apresentação oral para os dois. Corrigimos detalhes, fiz anotações, ouvi diversos conselhos e isto foi me dando confiança. Mas como cheguei em casa tarde e estava cansada e sem dormir direito há três noites, deixei para ensaiar de manhã, e me gravei duas vezes.
Estava calma. Até às 15:35.
Quando uma mulher some antes de um momento importante ou quando ela está sob pressão, o primeiro lugar a procurar é o banheiro. Ou ela vai estar com dor de barriga, ou passando mal...ou chorando.
Subi para aguardar a apresentação, levando a tira colo meus papéis de origami, já que reza a cartilha que toda apresentação demora. Mas não foi assim que aconteceu. Logo que subi a escada topei com a Cíntia, uma amiga que iria antes de mim. Pensei: ah, atrasaram como o previsto. Mas ela me disse: “já fui, a minha acabou mais cedo. Agora é você”. Dez segundos após ela falar “fica calma que eles vão te chamar”, a porta se abriu. “Você que é Eliane? É a sua vez”.
Entrei descontraidamente, conversei com os professores enquanto espetava o pen drive no laptop. E comecei. Se na gravação eu falei em 11 minutos, devo ter terminado a apresentação em 7 min. Falei que MXR era canal. Devo ter cometido todos os erros de concordância possíveis. Mas a parte das perguntas foi o pior. No início me perguntaram como eu cultivava as céls, como eu as extraía do bicho, até aí tudo bem. Até a pergunta que me desmoronou: “sua cultura tem dois tipos celulares. Você acha que isto não poderia mascarar os seus resultados?” Tive a coragem de perguntar “como assim, não entendi” e a outra professora tentando me ajudar, repetindo com mais detalhes o que o primeiro falou.
E depois ela: “então você vai fazer faloidina para ver se o Cd despolimeriza a actina. Isto já tem na literatura?” Trocando em miúdos: pq vc vai fazer isto se já tem na literatura q já fizeram?! Tentei argumentar depois que pode ser que o Cd cause despolimerização do filamento ou então que pode ocorrer uma reorganização destes filamentos, conferindo à cél a forma arredondada que eu observei.
E o outro professor não entendia como eu ia ver a atividade do MXR com rodamina no FACS... tentava explicar o experimento, mas eles conversavam entre si. Pedi a palavra, expliquei o experimento (q eu já estava acostumada zilhões de vezes) e quando falei do verapamil (inibidor do MXR) ele para a professora: “mas verapamil não é inibidor de canais de Ca?” E eles falaram que o esquema do desenho experimental ficou confuso.
E eles achavam que uma das perguntas que eu responderia era de que modo o Cd pode afetar o citoesqueleto.
Fiasco total. Acho que não foi dessa vez. Mas não tem problema, junho estamos aí.

Palavras sensatas em momentos equivocados. O que é ruim pode ficar pior.

E depois da entrevista fui correndo comer o ensopadinho da dindinha.

PS.: Sei que a finalidade desse blog é científico, mas gostaria de compartilhar este momento pois sei que aqueles que o leem são muito amigos e queridos, por isso peço um favor: que fique entre nós. Ainda não digeri a situação muito bem, ok? Para os colegas, continuo com a resposta padrão para a pergunta como foi na entrevista: “foi bem, foi bem, agora é só esperar o resultado”.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Por que a NASA procura água em corpos celestes?

Acreditem, esta pergunta caiu na prova do mestrado que fiz há duas semanas. E como eu já estava no fim da prova, cansada, respondi. Ainda bem que sempre me interessei por reportagens sobre a busca de água em outros planetas. Agreguei este conhecimento à matéria que estudei no mestrado e...voilà.

Como o chefe pediu que eu escrevesse a resposta para ele, achei legal publicar aqui. Quem sabe não ajuda algum estudante...

Por que a NASA procura água em corpos celestes?

A NASA faz esta busca incessante por água em corpos celestes porque toda forma de vida que conhecemos depende diretamente da água para sobreviver. Há organismos capazes de sobreviver em condições físico-químicas extremas, como temperatura, salinidade e pH, porém não há vida sem alguma presença de água. A célula, unidade fundamental da vida, é composta por uma grande porcentagem de água, que é necessária para realizar funções metabólicas importantes, onde moléculas são decompostas através da hidrólise, além de muitas reações produzirem água como produto.
Esta molécula apresenta características atípicas. Composta por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, ela possui baixo peso molecular, porém altos pontos de fusão e ebulição, maiores que o etanol, por exemplo, cujo peso molecular é maior do que a água. Isto se deve à formação de ligações de hidrogênio, que são interações não-covalentes formadas entre o hidrogênio de uma molécula e o oxigênio da molécula vizinha. Ela também apresenta alto calor específico, sendo necessária uma grande quantidade de energia para aumentar em um grau a sua temperatura.
Além disso, sua densidade diminui, em vez de aumentar, quando submetida a temperaturas abaixo de 4ºC. Esta baixa densidade permite que o gelo formado em corpos d’água doce flutue, atuando como isolante térmico e mantendo a água de lagos e rios em seu estado líquido, possibilitando a manutenção da vida aquática.
Portanto, a água possui uma série de características que propiciam a manutenção da vida. Por isso, a NASA busca água, ou evidências de sua remota presença, em planetas como Marte e Júpiter e não se interessando por Mercúrio, por exemplo, já que sua alta proximidade com o Sol, impossibilitaria a existência de água em estado líquido.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Zero à esquerda

Meus experimentos na semana retrasada não estavam dando certo. Tinha que aumentar a concentração de cálcio no meio de cultura (L15) e busquei em artigos o quanto eu teria que aumentar. Jurava de pés juntos que a concentração que vi era 6 g/L e assim o fiz. Porém, ao deixar o L15 em repouso por alguns minutos, formava um precipitado, como se fosse uma “nuvem”. Mostrei para o Mauro, que afirmava que não via nada, que era apenas reflexo do plástico.
Fiz os experimentos assim mesmo, e as células em alguns poços simplesmente sumiam – talvez elas lisavam. Eu tirava o meio, lavava, e nada.
Levei os resultados para o orientador, em um gráfico, que não se replicava. Os dados estavam muito ruins, ele nem precisava dizer, eu já sabia disso, mesmo com meus poucos conhecimentos em estatística. Os gráficos não me diziam nada. E ele perguntou “tem certeza que era 6 g/L? Me parece uma concentração muito alta”. Afirmei que sim, mas que em todo o caso procuraria novamente nos artigos. E achei. Acho que preciso trocar os óculos. Havia um zero à esquerda. A concentração era de 0,6 g/L, e não 6 g/L.
O engraçado é que achei em emails antigos eu discutindo a concentração do cálcio, e eu havia dito 0,6 g/L. De onde eu tirei que era 6 g/L?!?!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Você é capaz!


Terminei o Ensino Fundamental. Achava que o Ensino Médio seria difícil. Terminei o Ensino Médio, e achava que não daria conta da faculdade, afinal, era coisa de gente adulta fazer "Ensino Superior", principalmente porque via minha irmã mais velha estudando para as provas da faculdade, saindo com os amigos da faculdade, acordando cedo para ir para a faculdade. Agora era sério. Eu iria para a faculdade. Nada mais de professores bonzinhos, que ajudavam os alunos, mas que seriam secos e arrogantes, como eu ouvia da minha irmã e de outras pessoas. Agora era sério.
Sobrevivi.

Agora, terminei a faculdade. Estou indo rumo ao mestrado; coisa de gente adulta. Em três anos de estágio de inciação científica no laboratório, vi vários colegas iniciando e terminando o mestrado, dando continuidade (ou não) dos seus projetos no doutorado. A sensação é de ser tão pequena diante de algo tão grande. Vou contribuir para a ciência do meu país com uma dissertação de mestrado.

Há alguns dias vinha pensando sobre isso. E voltando para Niterói com a Tati, comentei sobre estas minhas impressões. Ela pediu para que eu lesse o perfil do orkut dela (nem sempre orkut é inútil rs), onde estava escrito:


"Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes.
Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta.
Nos perguntamos: "Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?" Na verdade, quem é você para não ser tudo isso?...Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você.
E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo".

(Discurso de posse, em 1994)"

...Não tem nada de iluminado no ato de se encolher, pois os outros se sentirão inseguros ao seu redor.
Nascemos para manifestar a glória do Espírito que está dentro de nós.
E a medida que deixamos nossa luz brilhar, damos permissão para os outros fazerem o mesmo.
À medida que libertamos nosso medo, nossa presença libera outros"

Nelson Mandela
Está na hora de parar de me encolher e brilhar ..."like a sunshine day".

Quem inventou? - Cultura de tecidos

Enquanto o resultado da seleção para o mestrado não vem, estou escrevendo um artigo sobre culturas primárias solicitado pelo meu orientador. E o assunto deste post é um tópico do meu artigo.

Assim como o Rupert Lee diferenciou “descoberta” de “invenção” em seu livro, farei o mesmo aqui. Este post poderia ser uma continuação do “Quem descobriu?”, mas o que será discutido não será uma descoberta propriamente dita, mas sim uma inventividade.

E o que é uma cultura de tecidos? Simples. A unidade fundamental da vida é a célula. E as células podem formar estruturas altamente organizadas chamadas de tecidos, onde pode prevalecer um tipo celular predominante, como no tecido muscular (e este é dividido em três subtipos, de acordo como o modo que as células se organizam) ou vários tipos celulares, como no tecido sanguíneo, composto por hemácias, linfócitos, monócitos, etc. A cultura de tecidos consiste em obter as células do tecido e mantê-las em um ambiente para que cresçam e proliferem – apesar de nem todos os tipos celulares proliferarem em cultura. A princípio, isto poderia ser feito com células de qualquer tipo de tecido: embrionário, vegetal, nervoso, muscular. Porém como nada é fácil nesta vida de ciência, há muitas dificuldades, principalmente em manter as células vivas e saudáveis.

Ross Harisson

Mas alguém deu o pontapé inicial. E ele se chama Ross Granville Harisson, que em 1907 publicou um trabalho curto, com o objetivo de responder como as fibras nervosas se formavam. Então ele retirou fragmentos de tubo neural de embriões de sapos em lamínulas estéreis. Encobriu os fragmentos de tecido em uma gota de linfa fresca de sapo e emborcou a lamínula com o tecido em uma lâmina que é muito utilizada por microbiologistas para acompanhamento de culturas de bactérias (veja o esquema retirado do site da Corning). Assim, ele pôde acompanhar o desenvolvimento das fibras nervosas do sapo a partir das células que ele explantou.

Técnica da cultura em gota. Coverslip = lamínula; Explant = explante. Lymph= linfa; Glass depression slide = lâmina de vidro com depressão.

Obviamente que antes de Harisson outros pesquisadores tentaram estabelecer culturas de tecidos, porém sem sucesso “completo”, digamos assim. Cada um contribuiu com seus experimentos e discussões. Mas foi o Harisson que teve a “sacação” (será que foi um momento “Eureka”?) de adaptar um material (a lâmina dos microbiologistas) às suas necessidades, além de ser o pioneiro de realizar experimentos com suas células.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Para transcrever precisa duplicar?


Provavelmente esta pergunta já havia sido respondida por mim, mas há alguns tópicos que vão embora, não se fixam na minha cabeça.

Agora que terminei de ler e resumir no caderno o Biologia Molecular da Célula para fazer a prova do mestrado, estou retomando os capítulos iniciais que sintetizei no meu caderno. E logo na primeira página, está escrito, no cantinho de cima: “tem que duplicar antes de transcrever?”
Eu me refiro ao clássico trio “duplicação-transcrição-tradução” que muitos de nós aprendemos (ou não) no Ensino Médio. E é surpreendente como algumas dúvidas simples (ou nem tão simples assim) permanecem mesmo após praticamente concluir o Ensino Superior – já que iniciei meus estudos para o mestrado em agosto de 2008.
Bom, vamos retomar rapidamente o que significa cada um dos termos do “trio”:

1) Duplicação – também chamado de replicação: Este é o nome do processo em que o DNA é...duplicado! Parece simples, mas não é. A quantidade de proteínas e enzimas necessárias para fazer este processo não é brincadeira. Tem uma enzima que desenrola a fita dupla de DNA, outra vai adicionando os componentes para formar a nova molécula, e tem também uma que fica mais a frente da fita para impedir que a molécula de DNA não embole de vez a ponto de enzima alguma dar jeito.
2) Transcrição: este processo cria uma molécula de RNA usando uma molécula de DNA como molde. Também são necessárias várias enzimas para que aconteça este processo
3) Tradução: a partir da molécula de RNA criada a partir do molde, há a formação de proteínas, e contam com a participação de várias moléculas diferentes dos processos anteriores.

Estes três processos são bastante longos, complicados e fascinantes de explicar em poucas linhas: cada um merece pelo menos um post específico. Mas o mais importante é: qual o objetivo final de cada processo?

Bom, a duplicação ocorre quando a célula vai entrar em divisão, ou seja, uma célula dará origem a outra.. Como se em algum filme de ficção cientifica um clone saísse de você. E para isso, a célula não pode dividir o seu precioso material genético ao meio: ela primeiro duplica, e depois divide. Já o objetivo da transcrição E tradução é basicamente formar proteínas. Logo, a célula não precisa estar em momento de divisão para que ocorra a transcrição e tradução: são processos que ocorrem continuamente. Porém, se a célula vai se dividir, além de duplicar seu DNA ela precisa crescer em tamanho: aí sim, a transcrição e tradução de proteínas acontecem a todo vapor.

Por isso que não entendo quando na escola (e inclusive na faculdade) aprendemos os três processos em sequência. É confuso, mas é lindo :)