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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Nanotecnologia da UFRJ - o que esperar do curso?



Ultimamente ando interessada em coisas que terminem em “-tecnologia”. No mês passado, fui a um simpósio de biotecnologia. E hoje, assisti a uma palestra sobre o novo curso de nanotecnologia que a UFRJ começou a oferecer já no vestibular 2010 (ah, acabou a década dos 00...). A palestra foi lá no IBCCF e dada por um dos coordenadores do curso, Gilberto Weissmüller. Ele falou um pouco da escala nanométrica (“se você dividir a Terra por um fator de 10 elevado a oito, você terá uma laranja de diâmetro de 10 cm; e se dividir esta laranja pelo mesmo fator de 10 elevado a 8, você terá uma nanoesfera” - não é algo lá muito intuitivo, mas achei curiosa estas relações), dos cursos de nanotecnologia oferecidos no mundo. O primeiro foi oferecido em Toronto, Canadá, em 2001. E hoje, este número gira em torno de 50 cursos de nanotec. Um crescimento muito rápido, não acham?
Pois bem, vamos entender como será este curso. Ele foi elaborado por 4 institutos: Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, Instituto de Física, Escola Politécnica e Instituto de Macromoléculas. Os dois primeiros anos compõem o chamado “ciclo básico”, com matérias obrigatórias para todos; no terceiro ano, o aluno opta por uma das ênfases: física, materiais e bionanotecnologia. Percebo que o prefixo “bio” está em alta – só na mídia, porque quanto a dar dinheiro...vixi, nem falo – e tenho certeza que muitos serão atraídos para este curso em busca desta ênfase. Ah, se eles chegarem lá... porque os dois primeiros anos são praticamente...física. Física purinha, juntamente com a sua fiel escudeira, a matemática. Algumas (poucas) matérias de biologia e mais outras de química. Vamos lá: física I,II,III,IV; física experimental I,II,III,IV; cálculo diferencial e integral (!!!!) I,II,III,IV. Só para citar algumas. É, meu leitor, se você escolheu este curso para o vestibular em busca do “bionano-”, vai ter que passar nos dois primeiros anos por estas matérias que citei até chegar lá. Serão oeferecidas 50 vagas, 30 para o campus do Rio e 20 para o campus de Xerém (sendo que em Xerém serão oferecidas as ênfases física e bionanotec). Aposta: quantos vão se formar, hein? Só para causar um impacto, a primeira “turma” do curso de biofísica (de 30 alunos) se forma agora. Digo turma entre aspas porque são apenas 3 formandos!!! Número comparável aos formandos de física, conhecido por ser um curso bem difícil. O curso de biofísica também é difícil, tem cálculo, computação etc mas não tanto quanto nanotec. Ah, e os alunos de biofísica estão até organizando um churrascão (soube do número de formando ao ler um cartaz divulgando o churrasco) para comemorar a formatura da tchurma!



Outra questão que me incomodou foi o aproveitamento de disciplinas já existentes para montar a grade de nanotec. Por exemplo, algumas (ou muitas, ou todas, não sei informar) disciplinas eletivas em ênfase em bionanotec. são também oferecidas para o curso de biofísica. As matérias de física do ciclo básico também devem ser as mesmas da física. Agora, será que os alunos de nanotec terão exatamente as mesmas aulas e na mesma sala que os alunos de biofísica, de física? E a questão do espaço? Vai caber todo mundo? No caso de bionanotec. será que não será perdido o foco se juntarmos turmas de cursos diferentes, com visões e propósitos diferentes? Eu achava decepcionante ter aula de spins e orbitais no semestre inteiro em química I e não ver nada aplicável para a biologia. E química I é disciplina básica do curso de biologia, imagina as disciplinas que compõem a especialização em bionanoec, será que se juntar as turmas não seria superficial e sem aplicabilidade para a bionanotec.?

É isso aí. Cria-se o curso, e logo se oferecem vagas. Depoooois é que vai se pensar em infraestrutura, salas, PROFESSORES.Não é à toa que o novo curso de Relações Internacionais é ministrado no prédio do Centro de Ciências da Saúde, no subsolo reformado recentemente... Mas tudo tem um lado bom: agora temos um banheiro novo e limpinho no subsolo.

Para mais informações, clique aqui para ir para o site de nanotec da UFRJ.

domingo, 29 de novembro de 2009

I Simpósio de Empreendedorismo em Biotecnologia - 2º dia

O segundo dia do simpósio foi menos empolgante para mim, talvez por "boiar" em muitos dos assuntos tratados neste dia. Os temas centrais foram patentes (não consegui chegar a tempo para esta palestra), possíveis conflitos entre universidade-empresa e Leis do bem e de inovação tecnológica.
A messa redonda sobre os conflitos entre empresa e universidade esperava mais, no sentido de ver exposto os atritos - se é que existem - entre estas duas instituições. O que mais me marcou foi a divisão que o Franklin Rumjanek fez entre pesquisa básica e aplicada, e que esta última que seria o laço entre empresa e universidade.
Mas o que mais me chamou a atenção foi a palestra do Ricardo Pereira, da agência UFRJ de Inovação - primeiramente por saber que existe um órgão como este dentro da UFRJ! Um dos principais objetivos é, segundo o folder que ganhei "estimular a cultura de proteção de novas tecnologias, visando à transferência tenológica em benefício da sociedade" Trocando em miúdos, pode ajudar artistas, inventores e CIENTISTAS a proteger suas obras através da propriedade intelectual, garantindo o retorno dos recursos investidos.
E para completar o time dos graúdos das agências financiadoras, também foi Luciano de Azevedo Soares, coordenador geral da CAPES, que trouxe a estrutura da CAPES, que os EUA possuem 1/3 da produção mundial de artigos, que a UNICAMP detém o maior número de patentes registradas no portal CAPES.
Tenho que admitir que achei este segundo dia maçante, aliado a um forte sol e sala nada fresca. Mas no geral, como primeiro simpósio que assisti, aproveitei bem aquilo que consegui absorver e que fizeram sentido para mim, abrindo alguns horizontes que não imaginava poder (ou como) seguir.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

I Simpósio de empreendedorismo em biotecnologia - 1o dia

"Boa tarde, meu nome é Eliane de Souza Figueiredo e sou empresária. A minha empresa possui cinco anos de vida e trabalha com o desenvolvimento e a fabricação de novos anticorpos monoclonais, com ênfase em animais não-tradicionais, como bivalves, peixes e ascídias para utilização em estudos de áreas ambientais degradadas". Loucura, não é mesmo? Mas foi um pouco assim que me senti no final do primeiro dia de palestras do I Simpósio de empreendedorismo em biotecnologia, uma "quase" aspirante a empresária empreendedora. Foram falar alguns pesquisadores do CCS (Centro de Ciências da Saúde, um setor da UFRJ), pesquisadores do Instituto de Economia da UFRJ, empresários (cuja formação variava de biólogo a engenheiro químico) e, o que me deixou bastante admirada, os "graúdos" das agências financiadoras (BNDES, FINEP, Faperj), para as quais dedicamos exaustivas horas em frente ao computador para escrever projetos para conseguir verba e financiar pesquisas.

Em linhas gerais, o dia de hoje se concentrou na história da biotecnologia e formação de recursos humanos capacitados e exemplos de empreendedores de sucesso. Apesar de um pequeno atraso de mais de uma hora (alguns palestrantes se equivocaram e foram para o Fundão em vez de ir para a Praia Vermelha, onde houve o evento), as palestras foram muito boas e esclarecedoras, daquelas que, mesmo sem saber nada (ou quase nada) do assunto, você aprende bastante.

Dois momentos me chamaram mais a atenção. O primeiro, sobre a formação de pessoal capacitado em biotecnologia. O IFRJ (sim, está escrito certo, é o Instituto Federal de Educação, Ciência e tecnologia do Rio de janeiro) possui um curso de nível médio/técnico em biotecnologia (que na verdade é o antigo curso do cefet química, ou seja, o téc. em biotecnologia continua veinculado aos Conselhos de Química), formando técnicos capacitados para trabalhar em diferentes áreas, desde laboratórios de pesquisa, de análises clínicas até em escritórios de advocacia envolvidos com patentes. Surgiu uma pergunta: e o mercado, consegue absorver estes profissionais? Será que os alunos formados continuam trabalhando nesta área? Bom, pergunta difícil de se responder, já que não há nenhum contato entre aluno e escola após o aluno término do curso. Outras questões, como a submissão em conselhos, mercado de trabalho, etc. também foram levantadas.

Outro ponto foi sobre empreendedorismo e como as agências financiadoras apoiam as microempresas. É um consenso que a maioria destas agências continuam a emprestar din din para os "grandes", pois eles possuem meios de propor garantias ao empréstimos; porém também há investimentos (muito tímidos, por sinal) naqueles que começaram do zero e tem nada ou muito pouco para oferecer de garantia. Afinal, você emprestaria dinheiro para uma pessoa que você não conhece, sem que ela no mínimo não lhe forneça alguma garantia de retorno? Como exemplos, temos alguns programas do BNDES, como o Criatec (destinado para empresas chamadas de "sementes", o início do estágio de desenvolvimento de uma empresa) e Funtec (são fundos não reembolsáveis, investem principalmente em fundos de inovação - dar dinheiro sem precisar devolver, digamos assim) e programas da FINEP, como o "juro zero" e Prime, ambas também para empresas em estágio inicial.

Bom, tudo isto e mais um pouco me fizeram enxergar o quanto a áera de biotecnologia está em expansão, especialmente para a criação de empresas inovadoras. O que quero dizer, é que empresa vai muito além do Sebrae, que é o que vemos com certa frequência na TV. Estas agências estão aí, muitas delas com recursos financeiros muito bons... e que podemos ser empreendedores não por necessidade (como ocorre na maioria dos casos, o seu José quer abrir uma empresa para expandir a padaria da família), mas por opção, fazendo pesquisa de ponta, transformando esta pesquisa em produto ou serviço; e assim podemos, satisfeitos, retornar à sociedade o investimento econômico que nos foi feito.