sexta-feira, 6 de junho de 2008

Cortando o presunto

Nesta terça eu e a Cíntia fizemos alguns cortes do meu material para a microscopia eletrônica de transmissão (MET, em português e TEM em inglês). Até que foi bem rápido, pois a pirâmide do bloco já estava "no ponto" pra corte (quando fazemos um bloco novo, temos que ir cortando a pontinha deste bloco, feito de resina, em um formato triangular, bem pequenininho. Então esta pontinha é cortada com uma faca e$pecial, de diamante). Então foi só encaixar as peças e deixar a máquina fazer o resto - ainda bem que é automática). Os cortes, acolhidos em uma banheira com água, estavam muito bons, bem dourados. A cor indica o quão fino o corte está, e a cor dourada de ser um corte de 0,2 micrômetros. Se estiver púrpura, por exemplo, tá grosso demais para a MET, pois o feixe de elétrons do aparelho não conseguiria atravessar o corte.

O triste depois é pescar os cortes. Tem uma gradezinha especial (usamos de cobre) onde colocamos o material. Mas primeiro, temos que dar um mergulhinho no ác. nítrico, para retirar possíveis gorduras - senão o corte não gruda). Mas esse banho tem que ser um mergulhinho, e rapidamente lavar com água: ou então não há mais grade :D, como aconteceu com a Paula rs.

Acho que pior que pescar é separar os cortes entre si. Imagina: você vai fatiar uma peça de presunto. faz a primeira fatia, e chega a peça para o lado; faz a segunda fatia, que fica parcialmente sobre a primeira, e assim vai, até formar uma fileira grande. Agora, você precisa colocar estes presuntos fatiados em uma tábua, mas a fileira que vc fez ficou grande demais. O que faz? corta o pedaço da fileira que caiba na tábua. É isso que tem que fazer: dos cortes seriados, tenho que separar um pedaço que caiba na grade. Simples, mas o problema é que os cortes, ultrafinos, estão boiando na água, e se pressioná-los demais eles afundam. E não é nada fácil desgrudá-los...deveria ter uns, sei lá, quase 80 cortes e fiz 5 grades com 4 cortes cada. Ou seja, dos 80, aproveitei 20, sendo que a maioria afundei rsE depois de pescados os cortes, as grades vão para o...porta-grades. Uma caixinha com vários buraquinhos numerados para guardar os cortes até a hora de usarmos...

domingo, 11 de maio de 2008

Escondendo o ouro

No Ecotox, somente um poster falava de vermelho neutro (e muitos continham micronúcleo e ensaio cometa); o pôster da Iara, capixaba gente finíssima. Enquanto aguardava ser avaliada, conversamos muito sobre nossos trabalhos, que, apesar de abordagem diferente, empregava o mesmo corante, VN. E também trabalhava com hemolinfa, mas de perna perna.
Expliquei sobre minhas dificuldades em distingüir céls estressadas e não estressadas (coradas e não coradas) e lhe perguntei como ela fazia na sua metodologia. Eis que ela me fala que não conta cél por cél, mas analisa a lâmina por inteiro, e classifica a lâmina em +; +/- e -. E usa as características (são 7) indicadas por De Pledge (um dos co-autores de alguns trabalhos do Lowe) e que NÃO ESTÃO PUBLICADAS EM ARTIGO ALGUM. E que ela teve acesso porque a orientadora (acho) fez um curso (caríssimo) com esse pesquisador, e é neste curso que ele discorre sobre tais características.
Então me pergunto: por que ele não publicou? por que esconder o "pulo do gato?" Poxa, isso é uma técnica, uma metodologia, e como tal deveria ser (bem) descrita, pois é uma ferramenta que poderia ser usada por outros pesquisadores. E será que os autores dos diversos artigos que já li contendo em seus materiais e métodos "Lowe e al" estão cientes destas tais características?
Apesar de pouco ter aproveitado das palestras, só este conhecimento fez valer o congresso inteiro. Mais um (excelente) contato. E o melhor, aqui pertinho no ES. Acho que vou aproveitar as promoções da Gol e fazer uma visitinha rsrsrsrrs

X Congresso Brasileiro de Ecotoxicologia - Bento Gonçalves, RS

Entre os dias 30 de maio e 3 de junho ocorreu o X Congresso Brasileiro de Ecotoxicologia, do qual participei apresentando pôster. Fomos eu e Ju, para Bento Gonçalves.

30/04/08 – quarta-feira:
Nosso vôo (pela Ocean Air) não atrasou, chegamos por volta das 19:30 no aeroporto de Porto Alegre e nosso transfer até Bento saiu pontualmente às 21h. Chegamos em Bento às 22:40, e infelizmente perdemos a abertura oficial e o coquetel. Fomos para hotel.

(em off): Muito, muito, muito frio. Sorte que havia aquecedor no quarto e nós, cariocas, desconfiadas em ligar o artefato, pedimos ajuda ao recepcionista que fez uma coisa muito difícil: ligou o aparelho na tomada e os dois botões

01/05/08 – quinta-feira
A Ju acordou cedo para ir ao mini-curso. Mais tarde levantei para ir ao Hotel Dall´Onder retirar meu material, mas lá descobri que deveria fazer isso no centro de convenções. A recepcionista do Hotel me deu um mapa da região e me explicou como chegar nos lugares básicos (shopping, rodoviária, centro de convenções). Esperei a Ju sair do mini-curso, almoçamos num shopping (fomos andando até lá), voltamos ao nosso hotel (andando também) para pegarmos meu pôster. O ônibus que levava ao fundaparque (o centro de convenções) fez a gentileza de nos esperarmos enquanto saíamos correndo para pegar o pôster.
A mesa redonda 1 (Qualidade e confiabilidade analítica em análises ambientais) , de início, não animou muito, mas o Alexandre Arenzon (UFRGS) expôs alguns pontos interessantes sobre determinadas variáveis que podem interferir nas análises de animais usados em experimentos exotoxicológicos).
A exposição dos pôsteres foi após o coffee break Na hora da avaliação, fiquei anciosa, claro, e como sempre acho que falei correndo demais. Expliquei minhas linhas de pesquisa – efeitos dos metais e caracterização do hemócitos por MET – o porquê de ter obtido resultados inversos do esperado.
Como fui uma das primeiras a ser avaliada, dei uma olhada nos pôsteres que me chamaram a atenção no livro de resumos. Somente UM,UNZINHO, tinha vermelho neutro – a da Iara, mestranda, UFES. Ficamos batendo um bom papo e descobri coisas interessantes...
A palestra 2 (Great ideas in ecological risk assessment), em inglês, foi interessante, mas pouco me lembro porque não entendi muito bem, logo não consegui anotar nada.

(em off): o pavilhão é tipo o riocentro. Deu a impressão que fazia mais frio lá dentro do que do lado de fora. Estava começando a choviscar quando fomos embora. Tínhamos um convite ($6) para a “festa da salmonella” num bar perto do Dall´Onder. Pelo nome e pelo frio, decidimos não ir. Rsrsrs

02/05/08 – sexta-feira

Pela manhã havia diferentes atividades, e optamos por assistir ao workshop, que a partir das 10h foi sobre biomarcadores morfológicos e genéticos (Ciro Ribeiro, UFPR) e após biomarcadores bioquímicos e fisiológicos (Montserrat, FURG; Adalto Bianchini, FURG e Helena Cristina da Silva de Assis, UFPR). Ao final, perguntei para o Ciro sugestões de como proceder na caracterização dos meus hemócitos, já que não há literatura disponível. Ele sugeriu que eu começasse como referências céls de vertebrados, que já estão bem descritas.
De tarde, fomos à Farroupilha, uma cidade vizinha que vende roupas mais em conta que em Bento. Precisávamos ir lá comprar roupas, porque o perrengue tava grande. Comprei um bom casaco, a um bom preço (apesar de ter descoberto um rasgo, mas nada que não possa ser costurado) e a Ju também comprou. Teríamos assistido à ultima palestra às 18:30 se o ônibus de volta pra Bento não tivesse atrasado quase 30 min.

(em off): Voltamos da rodoviária para o hotel à pé, na chuva. Pedimos um crepe para jantarmos (8,90) mas pagamos “quinze com vinte” (15,20) – a diferença cobria a taxa de entrega e as embalagens! Deu vontade de ir lá e devolvê-las...

03/05/08 – sábado

Atividades somente após o almoço. Agora bem aquecidas com nossos novos casacos, passamos no shopping Bento Gonçalves para tirar dinheiro e comprar coisinhas para comer. Para ir ao fundaparque, pegamos o ônibus municipal (que demorou bastante) e nos deixou bastante longe do fundaparque. Sob chuva e forte vento, chegamos encharcadas no pavilhão. Assistimos o finalzinho da mesa-redonda. Na hora do pôster, momento em que visitaria os trabalhos que marquei no livro de resumos, surpresa: muitos dos pôsteres, incluindo os do meu interesse, não estavam mais lá, provavelmente porque seus donos regressariam no sábado mesmo. Uma pena. Meu pôster não foi pré-selecionado.
Papeando com um grupo de paulistas, descobrimos que a última palestra do congresso, marcada para às 19:15h, fora adiantada (e lá fomos nós assistir ao finalzinho).

(Em off): Jantar de confraternização – muito bom gastronomicamente, mas muito ruim musicalmente. Só um cara no violão e outro nos atabaques. Música de barzinho deprê. Poucos na pista dançando (só coroas). Animou um pouquinho depois que Iara e eu pedimos um samba rs mas não foi o suficiente, e fomos embora.
Conclusão geral: Em relação às palestras, havia pouca coisa ligada diretamente ao meu trabalho; o local não era de fácil acesso, ficamos meio dependentes de táxi, mas dividíamos com as gurias que tb estavam hospedadas no mesmo hotel, pois não dá pra andar a pé na chuva e no vento; foi bom para fazer contatos "quentes".

terça-feira, 22 de abril de 2008

até pra isso o google serve...



Tenho que expressar o meu estarrecimento - pra não dizer boquiaberta - sobre como eu achei o artigo que venho buscando há meses (com alguns longos intervalos entre as buscas, claro).

Admito que sou péssima em procurar coisas, e isto inclui artigos. mesmo com a referência completinha, tirada dos dados bibliográficos, abro sciencedirect, periodicos capes, web of science, agora tb monte sinai e nem tchum.

Um exemplo: a silvana me mandou umas referências legais que um pesquisador alemão mandou. revista: aquatic biology, e eu procurando por aquatic toxicology. e ainda mandei email pra sil dizendo q não tinha online ainda rs. Bom, fui procurar pela aquatic biology, e não achei nos sites de busca citados anteriormente. Perguntei a ela como tinha conseguido, esperando como resposta um site de busca que eu desconhecia, e como resposta: "google".

Juro que duvidei. não da sil, mas duvidei que o google poderia me fornecer um artigo que não achei (incompetência?) no sciencedirect & cia. e hoje tirei a prova. procurei no google o tal artigo que eu queria. e eis que ele me aparece. duvidei mesmo, até porque a revista, "zoological studies" é específica do japão e adjacências, pensei "ah, por isso que não tem nos portais de pesquisa". mas nada, nada está além do google. e novamente, para até eu mesma crer, o artigo estava ali, no meu monitor. salvei rápido, do jeito que tá chovendo aqui, é capaz de faltar luz...
E Mauro, vou postar já já o artigo que vc me mandou. ele não é fácil, tô tentando extrair o máximo.

sábado, 12 de abril de 2008

Vídeo de apoptose

Mais un vídeo legal que a Ju me deu, e tava perdido lá no meu email. Para quem fala que no youtube só tem coisa que não presta... estã enganado...
Eu vejo isso acontecer muuuito com as minhas céls, quando já não aconteceu praticamente com todas... é incrível como essa coisinha tão pequenininha não é estática! Sempre vi a cél, desde o E. Médio, que ela estática. Até mesmo depois de ver alguns vídeos tirados do The Cell na aula de bio geral, continuava achando que era "mentira" (mentira, muuuito entre aspas, viu?) rs Até eu ver cara a cara, tête-a-tête, no estágio...
não é um máximo?!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

O plástico

Para exemplificar bem o post abaixo.

No livro Eureka!, q eu já comentei aqui, fala sobre a descoberta (e não invenção) do plástico. A princípio, o polietileno (vulgo plástico) só era obtido a temperaturas muito altas, o que encarecia sua produção em larga escala, além de ser pouco resistente. Até que uns químicos doidos - um pós-graduando, claro, estava tentando sintetizar hidrocarbonetos c/ átomos de alumínio, e utilizava o gás etileno. Como sempre acontece, nada disso deu certo: ele via que as moléculas de etileno se formavam aos pares. Eles investigaram e viram que isto estava sendo causado por resquícios de níquel de outros experimentos, onde eles estavam trabalhando. Eles mudaram o rumo (ou acrescentou uma linha nova de pesquisa no lab) e tentaram verificar se era possível produzir longas cadeias de etileno (polietileno). Não só era, como o processo era bem mais simples que o anterior, e não só isso, o produto era bem mais resistente que o primeiro. Mas como cientista é uma alma inquieta, os caras lá foram testando outros metais atuando como catalisadores. Essas misturas (orgânico + metais) ficaram conhecidas como "catalisadores Ziegler-Natta".

Agora a parte mais interessante, na íntegra:

"Ironicamente, mais tarde soube-se que os químicos da equipe de Ziegler não foram os primeiros a obter polietileno por este processeo. Em 1943, Max Fisher, nos laboratórios BASF, usou uma reação semelhante para produzir óleos lubrificantes sintéticos a partir do etileno. Ele percebeu que, além do óleo, a reação sempre formava uma grande quantidade de um pó branco. Ignorando do que se tratava, apenas jogava fora o resíduo como um produto indesejável, desse modo deixando de ganhar um Prêmio Nobel e um lugar na história da química."



Não sei se o Rupert Lee, autor do livro, foi, digamos, dramático demais, mas quando li o texto (após fazer o post abaixo) me deu uma vontade louca de postar aqui. Quando li, até eu fiquei com raiva do Fisher. Mas fazer o quê, ele ia advinhar? Imagina cada um de nós perdendo tempo em analisar cada resíduo produzido em nossos experimentos? rs E também fiquei imaginando, "será que ele soube? Como deve ter se sentido?"
...e espero que eu não seja acusada de cópia ilegal. Esse trecho é menos que 10% da obra!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Uma sugestão do Francesco

Francesco é um fofo. :D Pena que ele não sabe português para ler estas palavras. rs
O Mauro contou a ele sobre nossos problemas com o VN. Voltando do almoço (ele indo), ele me falou a opinião do Francesco, que talvez o motivo seja que a membrana do lisossomo esteja tão, mas tão danificada, que não consegue reter o corante. Tá, mas então a cél (seu citoplasma)deveria estar corada, certo? Segundo o Fran, o corante não ficaria no citoplasma porque seu conteúdo não é ácido, e o corante tem afinidade por meio ácidos, logo ele sai da cél. Então, aquilo que eu via no ctrl, as céls com "bolotinhas" vermelhas (os lisossomos com VN), significa justamente o contrário do que achava, ou seja, aquilo sim que é a cél boa, pois ela consegue reter o corante... tadinha, e eu colocava ela no grupo das coradas...tanto que, com o passar do tempo, esses lisossomos crescem (veja o filmezinho que fiz, como os lisossomos tão grandes!), e vai aumentando a chance de se romperem. Agora sim, tudo faz sentido. Eu lia nos artigos dizendo q o tempo de retenção pra céls saudáveis é de 180 min em média. (Tempo de retenção é o tempo que leva para que 50% das céls estejam coradas. Por ex, no tempo 1, do total de céls contadas apenas 10% estavam coradas; em t2, 15%; t3, 25%...t qualquer, 50%. Pronto, aí pára de contar e esse tempo, 30min, 1h,2h...etc, será o tempo de retenção. Claro, tem vezes que cél é tão boa, mas tão boa, que fica lá, mais de 2h, 2h e meia retendo...como também há vida out do lab, estabelece-se um tempo máximo, que mesmo não tenha chegado a 50%, a contagem é finalizada. Simples? Levei bastante tempo pra entender, o Mauro tentou me explicar diversas vezes, e eu com aquela cara de "hein?!"). E minhas céls, do ctrl tinha os tais 50% logo nos primeiros 5min!!!
Então, a estratégia agora é observar mais cuidadosamente os lisossomos, e contar como céls corada somente as com o citoplasma corado. Mas... e o que fazer com aquelas que tem uma leeeve coloração, como se um, unzinho lisossomozinho tivesse rompido?
Outra coisa, isso resolve o ctrl, mas ainda ficamos pendurados com os tratados. O Mauro falou para colocar HEPES (um tampão), que fique a 20 mM no L15. Vamos testar, então.