quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Por que a NASA procura água em corpos celestes?

Acreditem, esta pergunta caiu na prova do mestrado que fiz há duas semanas. E como eu já estava no fim da prova, cansada, respondi. Ainda bem que sempre me interessei por reportagens sobre a busca de água em outros planetas. Agreguei este conhecimento à matéria que estudei no mestrado e...voilà.

Como o chefe pediu que eu escrevesse a resposta para ele, achei legal publicar aqui. Quem sabe não ajuda algum estudante...

Por que a NASA procura água em corpos celestes?

A NASA faz esta busca incessante por água em corpos celestes porque toda forma de vida que conhecemos depende diretamente da água para sobreviver. Há organismos capazes de sobreviver em condições físico-químicas extremas, como temperatura, salinidade e pH, porém não há vida sem alguma presença de água. A célula, unidade fundamental da vida, é composta por uma grande porcentagem de água, que é necessária para realizar funções metabólicas importantes, onde moléculas são decompostas através da hidrólise, além de muitas reações produzirem água como produto.
Esta molécula apresenta características atípicas. Composta por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, ela possui baixo peso molecular, porém altos pontos de fusão e ebulição, maiores que o etanol, por exemplo, cujo peso molecular é maior do que a água. Isto se deve à formação de ligações de hidrogênio, que são interações não-covalentes formadas entre o hidrogênio de uma molécula e o oxigênio da molécula vizinha. Ela também apresenta alto calor específico, sendo necessária uma grande quantidade de energia para aumentar em um grau a sua temperatura.
Além disso, sua densidade diminui, em vez de aumentar, quando submetida a temperaturas abaixo de 4ºC. Esta baixa densidade permite que o gelo formado em corpos d’água doce flutue, atuando como isolante térmico e mantendo a água de lagos e rios em seu estado líquido, possibilitando a manutenção da vida aquática.
Portanto, a água possui uma série de características que propiciam a manutenção da vida. Por isso, a NASA busca água, ou evidências de sua remota presença, em planetas como Marte e Júpiter e não se interessando por Mercúrio, por exemplo, já que sua alta proximidade com o Sol, impossibilitaria a existência de água em estado líquido.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Zero à esquerda

Meus experimentos na semana retrasada não estavam dando certo. Tinha que aumentar a concentração de cálcio no meio de cultura (L15) e busquei em artigos o quanto eu teria que aumentar. Jurava de pés juntos que a concentração que vi era 6 g/L e assim o fiz. Porém, ao deixar o L15 em repouso por alguns minutos, formava um precipitado, como se fosse uma “nuvem”. Mostrei para o Mauro, que afirmava que não via nada, que era apenas reflexo do plástico.
Fiz os experimentos assim mesmo, e as células em alguns poços simplesmente sumiam – talvez elas lisavam. Eu tirava o meio, lavava, e nada.
Levei os resultados para o orientador, em um gráfico, que não se replicava. Os dados estavam muito ruins, ele nem precisava dizer, eu já sabia disso, mesmo com meus poucos conhecimentos em estatística. Os gráficos não me diziam nada. E ele perguntou “tem certeza que era 6 g/L? Me parece uma concentração muito alta”. Afirmei que sim, mas que em todo o caso procuraria novamente nos artigos. E achei. Acho que preciso trocar os óculos. Havia um zero à esquerda. A concentração era de 0,6 g/L, e não 6 g/L.
O engraçado é que achei em emails antigos eu discutindo a concentração do cálcio, e eu havia dito 0,6 g/L. De onde eu tirei que era 6 g/L?!?!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Você é capaz!


Terminei o Ensino Fundamental. Achava que o Ensino Médio seria difícil. Terminei o Ensino Médio, e achava que não daria conta da faculdade, afinal, era coisa de gente adulta fazer "Ensino Superior", principalmente porque via minha irmã mais velha estudando para as provas da faculdade, saindo com os amigos da faculdade, acordando cedo para ir para a faculdade. Agora era sério. Eu iria para a faculdade. Nada mais de professores bonzinhos, que ajudavam os alunos, mas que seriam secos e arrogantes, como eu ouvia da minha irmã e de outras pessoas. Agora era sério.
Sobrevivi.

Agora, terminei a faculdade. Estou indo rumo ao mestrado; coisa de gente adulta. Em três anos de estágio de inciação científica no laboratório, vi vários colegas iniciando e terminando o mestrado, dando continuidade (ou não) dos seus projetos no doutorado. A sensação é de ser tão pequena diante de algo tão grande. Vou contribuir para a ciência do meu país com uma dissertação de mestrado.

Há alguns dias vinha pensando sobre isso. E voltando para Niterói com a Tati, comentei sobre estas minhas impressões. Ela pediu para que eu lesse o perfil do orkut dela (nem sempre orkut é inútil rs), onde estava escrito:


"Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes.
Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta.
Nos perguntamos: "Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?" Na verdade, quem é você para não ser tudo isso?...Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você.
E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo".

(Discurso de posse, em 1994)"

...Não tem nada de iluminado no ato de se encolher, pois os outros se sentirão inseguros ao seu redor.
Nascemos para manifestar a glória do Espírito que está dentro de nós.
E a medida que deixamos nossa luz brilhar, damos permissão para os outros fazerem o mesmo.
À medida que libertamos nosso medo, nossa presença libera outros"

Nelson Mandela
Está na hora de parar de me encolher e brilhar ..."like a sunshine day".

Quem inventou? - Cultura de tecidos

Enquanto o resultado da seleção para o mestrado não vem, estou escrevendo um artigo sobre culturas primárias solicitado pelo meu orientador. E o assunto deste post é um tópico do meu artigo.

Assim como o Rupert Lee diferenciou “descoberta” de “invenção” em seu livro, farei o mesmo aqui. Este post poderia ser uma continuação do “Quem descobriu?”, mas o que será discutido não será uma descoberta propriamente dita, mas sim uma inventividade.

E o que é uma cultura de tecidos? Simples. A unidade fundamental da vida é a célula. E as células podem formar estruturas altamente organizadas chamadas de tecidos, onde pode prevalecer um tipo celular predominante, como no tecido muscular (e este é dividido em três subtipos, de acordo como o modo que as células se organizam) ou vários tipos celulares, como no tecido sanguíneo, composto por hemácias, linfócitos, monócitos, etc. A cultura de tecidos consiste em obter as células do tecido e mantê-las em um ambiente para que cresçam e proliferem – apesar de nem todos os tipos celulares proliferarem em cultura. A princípio, isto poderia ser feito com células de qualquer tipo de tecido: embrionário, vegetal, nervoso, muscular. Porém como nada é fácil nesta vida de ciência, há muitas dificuldades, principalmente em manter as células vivas e saudáveis.

Ross Harisson

Mas alguém deu o pontapé inicial. E ele se chama Ross Granville Harisson, que em 1907 publicou um trabalho curto, com o objetivo de responder como as fibras nervosas se formavam. Então ele retirou fragmentos de tubo neural de embriões de sapos em lamínulas estéreis. Encobriu os fragmentos de tecido em uma gota de linfa fresca de sapo e emborcou a lamínula com o tecido em uma lâmina que é muito utilizada por microbiologistas para acompanhamento de culturas de bactérias (veja o esquema retirado do site da Corning). Assim, ele pôde acompanhar o desenvolvimento das fibras nervosas do sapo a partir das células que ele explantou.

Técnica da cultura em gota. Coverslip = lamínula; Explant = explante. Lymph= linfa; Glass depression slide = lâmina de vidro com depressão.

Obviamente que antes de Harisson outros pesquisadores tentaram estabelecer culturas de tecidos, porém sem sucesso “completo”, digamos assim. Cada um contribuiu com seus experimentos e discussões. Mas foi o Harisson que teve a “sacação” (será que foi um momento “Eureka”?) de adaptar um material (a lâmina dos microbiologistas) às suas necessidades, além de ser o pioneiro de realizar experimentos com suas células.