sexta-feira, 6 de março de 2009

Happy!!!!

Primeiramente:
Passeeeeeeei no mestrado! Agora serei uma pós-graduanda !!! (só falta fazer a matrícula)

Segundo, este post é para tentar clarear algo que está tirando meu sono há algum tempo: os granulócitos da ostra que trabalho, Crassostrea rhizophorae.
A única caracterização morfológica dos hemócitos foi feito por Tânia Barth sob orientação da Marguerita Barracco, a quem tive o prazer de conhecer e traballhar em seu lab por alguns dias.
Ela fez a microscopia óptica dos hemócitos, corando com o corante Giemsa. Nela, ela achou três tipos de hemócitos: um sem grânulos, (hialino), com pouco citoplasma e núcleo grande. Outro hialino mas com muito citoplasma e núcleo menor. E o granulócito, que contêm grânulos no citoplasma. Só que o que vejo nas minhas células é um granulócito com grânulos bem maiores que os dela. Mas ao procurar imagens dos meus granulócitos, achei céls com grânulos parecidos (veja as fotos abaixo):

Hemócitos de C. rhizophorae. a: granulócito da Barracco; b: granulócito semelhante ao da Barracco e c:granulócito diferente ao da Barracco.


Sobre os hemócitos da figura c, pensei em duas hipóteses:

1) que, na verdade, são células de parasitas (protozoários, amebas, etc);
2) são células do músculo, e não da hemolinfa;

Mas ao ler um artigo que o João me enviou, lá de um pessoal da França, vi que na população de hemócitos pode aumentar a porcentagem de granulócitos. Apesar de ele estar se referindo a experimentos com exposições de xenobióticos em culturas in vitro (provavelmente esse aumento ocorreu devido à morte de hialinócitos), isto me deu uma luz. Os granulócitos podem aumentar de freqüência na hemolinfa! Inclusive eu já vi trabalhos que fizeram contagem diferencial em diferentes estações do ano para quantificar possíveis mudanças. Então pensei em mais uma hipótese:

3) manter as ostras no aquário faz que a população de granulócitos aumente além de mudar a morfologia dos grânulos, fazendo com que fique maiores.

Eu penso que esta seja a mais coente porque: i) não observava este tipo celular logo assim que as ostras chegavam; ii) a Barracco mantinhas as ostras no aquário por no máximo 48h.

Vou buscar artigos que falem sobre estas alterações dos hemócitos em bivalves que estejam sob condições de laboratório em outras espécies, além de verificar isto na próxima chegada de ostras. Aliás, manter este aquário descente está difícil, mas vou conseguir!

5 comentários:

Fabricio disse...

Olá Lia! Primeiramente, PARABÉNS PELA APROVAÇÃO!!! E parece que a prova dessa vez foi diferente das outras, com menos decorebas e mais assuntos para se pensar. Fico muito feliz e espero que sejam dois anos de muito trabalho (e dizem que passa muito rápido!) e muitos resultados! =)
Quanto às células, não sou da área mas o que me veio à mente foi uma expressão diferenciada das suas crias. Talvez o aquário seja reconhecido como um local estranho ou ali o "sistema imune" dela tenha mais trabalho... Falar dos bivalves (ou Pelecyphodas, se não me engano)me fez lembrar do Prof. Absalão, cujas aulas eu gostei muito!
Bjs e Parabéns =)

Juliana Americo disse...

Acho que sua hipótese faz sentido! Ainda mais considerando que aquele aquário tem uma microbiota considerável...mas o que vc vai fazer? Uma contagem de granulócitos nas ostras recém chegadas e depois em ostras já algum tempo no aquário? depois conte os resultados
Bjs

Juliana Americo disse...

Ahhhhhh e quero saber como foi a comemoração hahaha vai ter que ter um bis para mim
bjs

Eliane, a Lia disse...

sim ju, é isso que tenho em mente. faço uma contagem diferenciada nas ostras que já estão aqui e nova contagem com as ostra novas.
e procurar artigos que falem disso em algum tipo celular.

Unknown disse...

Olá.. Na busca por respostas sobre este mesmo assunto, que também me tira o sono, encontrei seu blog.
Você poderia me enviar alguns contatos para que eu pudesse pleitear algum orientador que queira se aventurar em trabalhar com hemócitos de terrestres?

Estou a procura de algum laboratório que realmente se interesse pelo assunto, porém que queira entender sobre a relação parasito hospedeiro utilizando gastrópodes terrestres e nematoides como modelo experimental.. Aliás, será que poderíamos trocar informações sobre estas células tão fascinante por outro meio de comunicação que não por aqui? Obrigada.